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Copom eleva taxa Selic para 12,75%

Esta é a quarta elevação seguida desde as eleições de outubro de 2014. Com a decisão, o Brasil volta a ter a maior taxa real de juros do mundo. Medida agrava quadro de recessão na economia. Bancos comemoram. Setor produtivo e trabalhadores reclamam.
Eliane Oliveira | O GLOBO
05 de março de 2015 às 09:48
INFO COPOM - Arte O Globo

 

BRASÍLIA - Em sua segunda reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira, por unanimidade, aumentar a taxa básica de juros (Selic) em meio ponto percentual, de 12,25% para 12,75% ao ano. Esta é a quarta elevação seguida desde as eleições de outubro de 2014.


Com a decisão, o Brasil volta a ter a maior taxa real de juros do mundo.


A elevação da Selic já era esperada pelo mercado e reflete a preocupação do BC com a inflação, que tem se mantido acima de 6% ao ano. A meta é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para baixo e para cima.


Além dos reajustes das tarifas públicas, outra fonte de pressão sobre os preços consiste na valorização do dólar ante o real. A moeda americana fechou a R$ 2,98 nesta quarta-feira, devido, principalmente, às incertezas quanto à aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso.

"Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 pp, para 12,75% a.a, sem viés", diz o comunicado divulgado pelo comitê.


 

Participaram da reunião o presidente do BC, Alexandre Tombini, e os diretores Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

Ninguém esperava nada muito diferente. O Copom já estava sinalizando um ciclo de alta, tendo em vista a questão da inflação, que está bastante complicada. Há o compromisso do BC de trazer a inflação para o centro da meta no ano que vem — disse Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados.


O economista-chefe do Santander, Maurício Molan, acredita que esta é a última alta da Selic do ano, devido ao quadro recessivo da economia. Para ele, a taxa básica de juros começará a cair no quarto trimestre, chegando a dezembro em 11,75%.

Estamos muito preocupados com a intensidade da recessão que vai se abater sobre a economia este ano, com uma retração de 0,9% do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de bens e serviços produzidos no país) e uma redução de 1,5% a 2% na demanda doméstica. Essa contração é suficiente para trazer a inflação para uma trajetória de queda a partir de meados deste ano. Não haverá necessidade de apertos adicionais — afirmou Molan.


Já Alex Agostini, sócio da consultoria Austin Rating, acredita que o Copom aumentará a Selic em mais 0,5 ponto percentual em sua próxima reunião. Com isso, a taxa atingiria 13,25% e, dependendo do cenário, ficaria nesse nível até o fim de 2015.

Não tem como esmorecer. O BC precisa continuar austero. Não tem mágica: os juros têm de subir — sentenciou Agostini.

 

CRÍTICAS DO SETOR PRODUTIVO

Representantes dos empresários e dos trabalhadores criticaram o aumento dos juros. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considerou a decisão incompatível com o quadro de “recessão” do país. “Um ajuste fiscal feito por meio de aumento da carga tributária e corte dos investimentos públicos não só é nocivo ao crescimento no longo prazo, como também não parece ser viável na atual conjuntura econômica e política”, afirma a Firjan em nota.


Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o novo aumento dos juros agrava as dificuldades da indústria e coloca em risco o emprego.


De acordo com a Força Sindical, o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade de afrouxar um pouco “a corda que está estrangulando o setor produtivo, que gera emprego e renda”. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) considerou a medida “intolerável para os trabalhadores, porque vai agravar a estagnação da economia e concentrar riqueza”.



Leia mais sobre esse assunto em:

http://oglobo.globo.com/economia/copom-eleva-taxa-basica-de-juros-para-1275-15503861#ixzz3TVztZh4p 
 

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