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'Lista de Janot' tem motivação política

Em depoimento na CPI da Petrobras, o presidente da Câmara afirmou que inclusão do seu nome na lista de investigados tem motivação política. 'O MP escolheu a quem investigar”, declarou Cunha e cobrou razões para a não inclusão de membros do PT.
Murilo Souza e Natalia Doederlein | Agência Câmara de Notícias
12 de março de 2015 às 11:38

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, afirmou há pouco, em depoimento à CPI da Petrobras, que a inclusão de seu nome da lista de políticos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem motivação política.


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Segundo Cunha, o Ministério Público Federal (MPF) escolheu a quem investigar. “Os pedidos de abertura de investigação tem natureza política. O MP escolheu a quem investigar”, declarou Cunha, citando como exemplo o senador Delcídio do Amaral (PT), cujo pedido de investigação foi arquivado.


 

Lucio Bernardo Jr. - Câmara dos Deputados
Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da empresa Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRAS), entre os anos de 2005 e 2015, relacionados a superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil
 
 

Eduardo Cunha (E) diz que o Ministério Público criminalizou as doações oficiais de campanha recebidas por ele.
 

De acordo com o presidente da Câmara, a petição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que incluiu seu nome na lista de políticos investigados pelo STF está baseada apenas nas doações oficiais recebidas por ele de empresas e no depoimento do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, que disse em depoimento ter entregado quantias em dinheiro em uma casa em um condomínio no Rio de Janeiro. “O procurador não teve o mesmo trabalho de analisar as doações oficiais feitas por empresas a outros políticos, como, por exemplo, o senador Delcídio Amaral”, disse Cunha.



A contradição, segundo ele, consiste no fato de que, na descrição do núcleo político do suposto esquema de corrupção na Petrobras, a indicação para a diretoria de internacional teria sido feita pelo PMDB. “O próprio Paulo Roberto Costa detalha em seu depoimento que o senador Delcídio do Amaral (PT) foi quem teria indicado o senhor Cerveró para a diretoria internacional”, relatou Cunha, sugerindo a tese de “natureza política” nos pedidos de investigação.



Cunha ressaltou ainda que Fernando Soares, o Fernando Baiano, nunca foi operador do PMDB. “Eu o conheci, ele representava uma empresa espanhola que atuava no Porto Açu, do empresário Eike Batista”, disse, ao negar a participação de Baiano como operador pelo PMDB.



Cunha leu trechos da petição do MPF que sugerem que “os vultosos valores recebidos por Eduardo Cunha (em princípio como “doações oficiais”) de várias empresas que já se demonstrou estarem diretamente envolvidas na corrupção de parlamentares”. Para Cunha, neste caso, a criminalização das doações oficiais de campanha é um exemplo de como o pedido de investigação do MPF foi direcionado.



Alguém se deu ao trabalho de investigar quem mais recebeu recursos da Camargo Corrêa, que a petição aponta que doou a mim R$ 500 mil diretamente?”, questionou Cunha, citando o nome de outros parlamentares que receberam recursos da empresa, como a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffman e os petistas Aloizio Mercadante (atual ministro da Casa Civil), Marta Suplicy, José Genoíno, entre outros.



Casa amarela

Eduardo Cunha também rebateu a tese de que teria recebido recursos do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef. Segundo o MPF, em um primeiro depoimento o policial afirmou ter entregado três vezes dinheiro em uma casa amarela, no condomínio que achava se chamar Nova Ipanema, no Rio de Janeiro.



Eu mesmo retirei uma certidão de ônus do imóvel e peticionei o MP para saber quem seria o proprietário da casa. A certidão de ônus mostrou que a casa vem a ser de propriedade do advogado Francisco José Reis, aliado do deputado Jorge Picciani. Então peticionou o procurador-geral para mostrar que o imóvel não era meu”, disse Cunha.



Ele destacou ainda que, em novo depoimento à Justiça, o doleiro Alberto Youssef disse que nunca foi dito a ele que as entregas eram para Eduardo Cunha. E que Jayme de Oliveira nunca disse isso a ele. A informação foi confirmada pelo advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, que reforçou que seu cliente não conhece nem mandou entregar dinheiro para Eduardo Cunha nem para o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

A CPI continua reunida no plenário 2.


Saiba mais em:

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/483329-CUNHA-DIZ-QUE-INCLUSAO-DO-SEU-NOME-NA-LISTA-DE-INVESTIGADOS-TEM-MOTIVACAO-POLITICA.html


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